COMO A BITCOIN ESTÁ A AFECTAR O BRASIL E A AMÉRICA LATINA

Provavelmente já ouviu falar das bitcoins. Elas são cada vez mais faladas e existem cada vez mais adeptos no mundo inteiro. No entanto, não é fácil entender à primeira em que consistem, até porque existe muita informação cruzada nos meios de comunicação e na internet.

A bitcoin é então uma moeda, mas virtual. Ou seja, pode ser comparada com outras moedas, como o real, no Brasil, o dólar, nos Estados Unidos, ou o euro, na Europa, mas ao contrários estas não tem existência física. O que não significa que não exista. Apenas não está é nos bolsos das nossas calças ou no interior das carteiras como as moedas convencionais.

Ela é assim produzida pelos computadores no mundo virtual global e é regulada e mantida por pessoas que registam todas as transacções feitas, excluindo do processo o envolvimento de qualquer Banco Central. Isso faz com que não esteja sujeita aos níveis de inflação ou deflação, tornando-se numa moeda mais segura, longe dos interesses especulativos dos mercados capitalistas globais.

As bitcoins surgiram no ano de 2009, criadas por um japonês misterioso chamado Satoshi Nakamoto, e a sua popularidade tem crescido exponencialmente de ano para ano. Isso tem feito que cada vez mais lojas on-line aceitem pagamentos nesta moeda, tornando-a numa moeda cada vez mais valorizada. No início deste ano, por exemplo, cada bitcoin chegou a valer pouco mais de mil dólares. Três meses depois, já ultrapassava os 2 mil e 400 dólares.

Há quem critique este comportamento e que acuse a bitcoin de ser uma bolha prestes a explodir, que trará ao mercado complicações e agravantes aos seus investidores. Outros apontam-na como uma solução aos mercados capitalistas regulamentados pelos interesses de terceiros, dos bancos e dos grandes grupos económicos. O que é certo é a bitcoin já começou a afectar o mercado brasileiro e todo o mercado sul-americano em geral.

Tendo em conta o recuo da economia da América Latina que se tem registado desde o início de 2016, devido às convulsões políticas internas (como é o caso do Brasil ou da Venezuela, por exemplo), à desaceleração da económica chinesa (o principal parceiro económico da maioria desses países) e à consequente redução do volume de exportações, muitas empresas e investidores encontraram na bitcoin uma forma interessante de contornar esta recessão, especialmente quando é necessário investir ou pagar em moeda estrangeira.

Basta ver como a bitcoin tem batido recordes em todos os países da América Latina desde então. Só no Brasil, no ano transacto, registaram-se mais de 113 milhões de reais movimentados em negócios envolvendo esta moeda virtual, o que corresponde a um aumento de mais de 150 por cento em comparação com o ano anterior. Uma valorização de mais de 100 por cento.

Se estes números são impressionantes, o que dizer do México, que em 2015 os negócios envolvendo bitcoins aumentaram em quase 600 por centro. Todos estes números oficiais indicam que quem investiu em bitcoins durante 2015 e 2016 viu o seu dinheiro render cerca de 92 por cento, quase o dobro do real e mais de 400 por cento em relação ao bolívar.

Contudo, é na Argentina que encontramos os maiores entusiastas da bitcoin. Aliás, o próprio presidente, Mauricio Macri, é um confesso adepto desta moeda virtual e o governo argentino já esteve reunido inclusive à mesa com Richard Branson, principal accionista da Bitplay, a empresa de processamento de pagamentos em bitcoin, para discutir a situação.

No Brasil, foi anunciado recentemente que a Câmara de Deputados irá analisar um projecto de lei para regulamentar o uso de bitcoins. Isto poderá significa uma nova era para esta moeda. Essa foi uma decisão que veio também no seguimento de uma onda de ataques cibernética, que exigiam resgates em bitcoins, mas que pode ajudar a consolidar o mercado de bitcoins no país, com todas as vantagens adjacentes a isso.

Entretanto, outros países têm agido contra a bitcoin. Na Venezuela, por exemplo, a braços com uma forte crise política e financeira, foi criado um programa de sensibilização contra a moeda virtual e as empresas de processamento de bitcoins proibidas. Também na Bolívia foram banidas transacções economias em qualquer moeda que não seja emitida pelo banco central boliviano. E no Equador o mesmo cenário foi adoptado.

Contudo, mesmo perante estes cenários mais pessimistas, a América Latina assume-se como uma terra de oportunidades para o crescimento e investimento de bitcoins. Certamente que países como Brasil, mas também a Argentina ou a Venezuela e o México, estarão no pelotão da frente desse desenvolvimento da moeda virtual, que poderá revolucionar o mercado, mas também o sector do comércio electrónico, que, especialmente neste último caso, ainda se encontra muito longe do seu homónimo norte-americano ou europeu.

By | 2017-09-26T04:09:58+00:00 September 26th, 2017|Bitcoin Info|Comments Off on COMO A BITCOIN ESTÁ A AFECTAR O BRASIL E A AMÉRICA LATINA

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